25 de setembro de 2020

Filosofia Black Bloc


 
 

Em junho de 2013, data da maior erupção social das últimas décadas, o movimento Black Bloc ganhou os holofotes como nova prática de luta e manifestação. Analistas à direita e à esquerda foram forçados a tentar compreender o movimento, normalmente municiando um repertório conceitual incompatível com os significados do Black Bloc, sem entendê-lo em seus próprios termos. Procurando suprir essa carência surge o "Filosofia Black Bloc", que concebe e mobiliza um arcabouço teórico que permita abordar o movimento Black Bloc como fenômeno: produzir, no pensamento, uma filosofia Black Bloc. Não cessamos de ler Junho sob o ponto de vista de Brasília, dos palácios de governo, dos partidos recusados pelas multidões, da surpresa e da inércia dos poderes constituídos, da decadência da representação formal, das classes cerradas para o social. Pensar Junho nesses termos torna-se então “capturar e destruir” sua potência específica. Não é por acaso que boa parte das interpretações de intelectuais se parece tanto com os discursos da grande imprensa que vimos circular. 

* Para comprar: 

http://www.hedra.com.br/shop/product/9788595820562-filosofia-black-bloc-murilo-duarte-costa-correa-editora-circuito-pol042010-113513

22 de setembro de 2020

"Ensino Superior é inútil"

 
 

Nesse vídeo, exploro um imperativo que temos visto circular muito nas redes sociais, especialmente no #YouTube. O imperativo "#NãoFaçaFaculdade / Universidade / Curso de Ensino Superior". 

Ele está apoiado na premissa de que, com a Internet, e a democratização do acesso à informação, as Universidades deixam de ser o foco principal do conhecimento. Radica na noção de que as Universidades estão, há muito, divorciadas da realidade, das necessidades do mercado de trabalho e de que os diplomas não importam; o importante é #saberfazer. 

Afinal, tudo o que é relevante está no You Tube, certo? E o que não está na internet, não está no mundo, não é mesmo? 

Então, todos podemos ser indivíduos livres, que trafegam incessantemente, e a partir de seus próprios interesses (para além das disciplinas das escolas e universidades) pelas exteriorizações das redes neurais do Intelecto Geral, que são as redes e plataformas de internet, nas quais o saber circula sob a forma da produção e do consumo contínuo de "conteúdo". 

Essas conclusões apressadas exprimem não apenas uma crise que atravessa a função das universidades, mas dizem respeito a um contexto efetivamente técnico e epistêmico em que nossos processos de aprendizagem são envolvidos em uma dupla transformação: não apenas os professores têm sido levados a se transformar em youtubers, mas os youtubers têm se transformado em professores. Duplo e paradoxal "devir" (-youtuber, do professor; -professor, do youtuber). 

Ambas as tarefas são homogeneizadas pela economia política de plataformas monopolistas, que funcionam sob um modelo de extração de subjetividade e de axiomatização identitária, própria do Google, do Facebook, da Amazon -- que, aqui, são citadas como exemplos desse tipo de governo algorítmico dos processos de subjetivação pré-pessoais, dividuais. 

Mas será mesmo lícito afirmar que o Ensino Superior é inútil? Que tudo o que precisamos aprender está no You Tube? Eis o que exploramos aqui.