21 de novembro de 2009

Desejo e causa imanente: Baruch de Spinoza por Gilles Deleuze


O desejo deleuziano dispõe de algo como uma causa imanente, cujo conceito Deleuze extrai de Spinoza, por oposição à causa imanativa, e que pode ser assim delineado: (1) a causa imanente é algo que não sai de si; (2) uma causa é dita imanente quando o efeito é, ele mesmo, imanado na causa, ao invés de emanar dela; (3) o efeito encontra-se na causa imanente, mas já como numa outra coisa, e nela persevera; (4) do ponto de vista da imanência, a distinção de essências já não exclui nem negativiza, mas implica uma igualdade do Ser, na medida em que é o mesmo ser que resta em si na causa, mas também na qual o efeito permanece como em uma outra coisa; (5) a imanência implica uma pura ontologia, uma teoria do ser em que o Uno não passaria da propriedade da substância e disso que é; (6) a imanência em estado puro exige um Ser unívoco que forma uma Natureza, e que consiste em formas positivas, comuns à causa como ao efeito; (7) a causa, portanto, embora se encontre em uma posição de superioridade, não condiz com um princípio que estivesse para além das formas que se encontram, elas mesmas, presentes no efeito, na medida em que o que a causa dá ao efeito não lhe é nunca superior. Assim, a imanência opõe-se a toda teologia negativa, a todo método analógico, e a toda concepção hierárquica do mundo. Na imanência, diz Deleuze, tudo é afirmação.

Tela de Henri Matisse, Odalisque, 1923.