22 de maio de 2012

"Apócrifos"



Aforismos em defesa e memória da Livros de Humanas

1. Nómos. – Contra a autoridade dos nomes próprios e a propriedade que se inscrevem no nómos – que é, sobretudo, rapina, divisão e apossamento forçado – velamos o corpo do autor, sua mão escritora, os riscos indeléveis, a impressão no corpo, o gesto suspenso e esmaecido.

2. Disse alguém. – [...]Esses deveriam ser os princípios de toda escritura, porque toda escritura está para além do autor.

3. A glória. – Alguém dizia que mesmo os filósofos que rejeitam a glória, não deixam de escrever seus nomes nas capas de seus livros. Isso porém, não é a prova da identidade, mas do devir um outro, que é a prova de toda escritura.

4. O corpo é o escritor –. A mão é a escritora; o sujeito, seu instrumento.

5. Quem o autor pensa que é? –. Você, o criador...

6. O que é um autor? –. O autor é o animal que vive da (s)obra alheia. A escritura é o limiar do seu excesso; a obra, o limiar da sua exceção.

7. Sem assinatura –. Imprimir o signo do pessoal a uma criação é apagar sua própria assinatura inominável.

8. Aos editores –. Só queremos o pensamento. Quanto às obras, guardem-nas num cofre (para si mesmos).

9. Aos juízes –. Como continuar a se defender de pensar – quando se tornar inútil todo recurso à autoridade?

10. O autor está morto. – Ao comum, seus despojos.

11. Nós, os criadores. – À recolha.


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