Shitposting on: sobrescrever


Carxs leitorxs do A Navalha de Dalí,

Vocês ainda estão aí?

Os blogs saíram de moda. Toda a prática de leitura online parece ter sido engolida pelo shitposting das redes sociais. E todo shitposting requer um shitreading. Aquela atençãozinha de merda. 15 minutos são ouro! 9 segundos de dancinha no TikTok. Não dá tempo nem de ficar excitadx. Mas, sendo o caso, o capitalismo inventou outras drogas pra isso - as FFAA que o digam.

O resto (e também um imenso monturo do shitstorm disponível) passou ao audiovisual - mais conhecido como You Tube e que tais. Enquanto isso, "as melhores práticas textuais" agora estão pautadas na hiperfragmentação (penso se não seria o momento de pôr um ponto final nesta frase em busca de mais views. Uma pena este blog não ter AdSense).

Tudo vira SEO. Fragmentação e recursão são palavras-de-ordem. Ou melhor, a ordem-das-palavras, ordem do discurso. O arquivo e o a priori histórico foucaultianos. Hoje, o carequinha que a gente gosta estaria estudando Python ou linguagem C++ pra escrever "o código e a internet das coisas".

Logo, [perdoem, o SEO pede a inserção de conectivos nos lugares mais aleatórios para aumentar a readability], escrever é devir-fantasma, devir-ghost para tornar-se writer. E aí, quem não é writer pode fantasiar que é. Custa uns trocados. [Há uns quantos best-sellers, todos assombrados, que foram escritos por fantasmas e levam o nome de alguém de carne-e-osso na front cover]. Quem assina faz cover de autor, e o writer faz cover de fantasma. And nobody cares, everybody is making some cash. Paying the fkng bills. Nothing wrong with that, babe - I need to stop reading Kerouac. All I'm saying is becoming-Standard-&-Poor faster than I can account for.

Não digo nada disso com qualquer saudosismo. L'immanence nos livre de sermos Platões suspeitando da cultura escrita; Adornos achando a inventividade do Jazz uma repetição fingida e vulgar. A gente continua atirando garrafas ao mar - e, parafraeando Heráclito (não Hölderlin - toma essa, Heidegger!), muda a garrafa, a mensagem e o mar mesmo vira outro.

É assim [este "assim" não deveria ter vindo antes, caro SEO? Pera, vou perguntar pra Alexa!] que entramos no YouTube. Mas (agramaticalidade dos conectivos on fire), eventualmente escrevemos algo por aqui. Claro que vocês não devem esperar nada criativo. Até porque, toda "escrita criativa" está no medium, e a plataforma é mesmo muito bonita. De um minimalismo que quase dá vontade de largar tudo em troca da promessa de um mundo em que todo ruído é branco. Clean. Parece arrumado pela Marie Kondo. Todo mundo merece um ouvido entupido de fone bluetooth e ASMR. Talvez assim o capitalismo 24/7 deixe a gente dormir, às custas da nossa atenção dispersa, frouxa, sonolenta.

Mas eu escrevi tudo isso para dizer que, daqui para frente, ao invés de disponibilizar novos textos via Scribd - como "antigamente" - incorporando-os aqui, vamos fazer uma malandragenzinha das antigas. O nome da droga é hiperlink. [SEO liked it!]. Vamos concentrar tudo no Academia.Edu porque, como diz o canalha editor da The Wired, "Theory is dead, long live the big data". Só que não.

O que me lembra que preciso mudar o layout deste blog. Nada de plutôt la vie. Muito 68. Muito surrealista. Surrealismo para quê, se ninguém mais dorme? Preciso é achar um pixo que diga "Plutôt le metaverse". Aí, sim, este blog vai da naftalina ao NFT!

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