Mostrando postagens com marcador Agamben. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Agamben. Mostrar todas as postagens
A conspiração dos vivos: as lutas contra a asfixia
04 março, 2022
Labels:
Agamben,
Arendt,
capitalismo,
covid-19,
Deleuze,
ensaio,
ensaios,
Foucault,
Gilles Deleuze,
Judith Butler,
lutas,
Negri,
pandemia
Necropolítica da memória escrava no Brasil pós-abolição
15 abril, 2019
A exceção contra o estado: biopolítica e direitos humanos
23 março, 2018
* Referência
CORRÊA, Murilo Duarte Costa. A exceção contra o estado: biopolítica e direitos humanos. In: Corrêa, M. D. C.; Matos, A. S. M. C.; Pilatti, A. (Orgs). O estado de exceção e as formas jurídicas. Ponta Grossa: Editora UEPG, 2017, p. 383-420.
* Link para o livro
<http://portal-archipelagus.azurewebsites.net/farol/eduepg/produto/o-estado-de-excecao-e-as-formas-juridicas/51106/>
Livro: O estado de exceção e as formas jurídicas
26 fevereiro, 2018
O estado de exceção e as formas jurídicas deseja apresentar aos
leitores brasileiros um balanço crítico e criativo da produção teórica
nacional e estrangeira sobre as formas jurídicas do estado de exceção.
Para tanto, recolheu as mais significativas contribuições de
investigadores brasileiros e estrangeiros que têm se dedicado ao tema
nos últimos vinte anos. O livro resulta de atividades de pesquisa,
intercâmbio e diálogo entre seus colaboradores, e é fruto de uma
preocupação compartilhada a respeito do conceito e das práticas de
exceção cotidianamente incorporadas às formas jurídicas.
Agrupados
em três eixos, os estudos descrevem os modos de funcionamento de
dispositivos de exceção, aplicando-se às suas operações concretas;
analisam as formas jurídicas de que o estado de exceção se reveste em
estruturas econômicas, sociais e políticas para revelar sua íntima
relação com certa normalidade capaz de convertê-lo em paradigma de
governo; por fim, apontam focos de resistência e traçam linhas de fuga.
Trata-se
de uma publicação de viés inovador e interdisciplinar, qualificada para
tornar-se material de referência e consulta para docentes e discentes
de cursos de graduação e pós-graduação das áreas das Ciências Humanas e
das Ciências Sociais Aplicadas.
+ informações no site da Ed. UEPG
Quando a filosofia faz pop
18 setembro, 2017
(Bitting the Apple, de Greg Guillemin)
por Bruno Cava e Murilo Corrêa
Uma semana depois, a publicação de A pop filosofia que falta poderia sugerir que "aderimos ao contemporâneo". Talvez isso se deva ao fato de criticarmos as esquerdas e a sua relação ontológico-política (ou crítico-destrutiva, ou pragmático-negativa) com as imagens. Teríamos entregado as armas?
Talvez nos perguntem "qual esquerda" criticamos. E perguntaríamos de volta: "quais esquerdas ainda existem?" e "sob que estranhas formas ainda existem as esquerdas?". Talvez especulássemos: "sob a forma da destruição das imagens, ou da crítica negativa pela via das imagens (ou sob as imagens), vivendo-a como o ticket de volta ao real perdido - a aguardada passagem de volta e para fora de Dungeons and Dragons". Estranha sensação de jamais estar à vontade entre imagens, a das esquerdas. O que jamais se perguntariam ao ler A pop filosofia que falta é "qual adesão ao contemporâneo vocês propõem?" ou "Em que termos?", já que não parece possível negá-lo - e a inércia dialético-reativa das esquerdas está aí para provar precisamente isso.
A pop filosofia que falta resulta da acumulação de uma série de práticas atualmente em curso no campo social, mas também de todos os mal-entendidos sobre a relação entre a crítica, a imagem e o real - e isso encerra toda uma nova possibilidade para a política. Não inventamos nada, exceto uma forma de expressão para essa matéria que já encontramos em movimento.
A pop filosofia que falta resulta da acumulação de uma série de práticas atualmente em curso no campo social, mas também de todos os mal-entendidos sobre a relação entre a crítica, a imagem e o real - e isso encerra toda uma nova possibilidade para a política. Não inventamos nada, exceto uma forma de expressão para essa matéria que já encontramos em movimento.
Aderir àquilo que o contemporâneo tem de absolutamente inatual no cerne mesmo da sua atualidade (uma ideia nada estranha a leitores de Foucault ou Deleuze) é colocar em jogo o estatuto do real a partir de uma política que leve a sério as imagens. Nosso problema não são as imagens, mas o seu real. Não se trata do mesmo velho problema das esquerdas: "a falta de real das imagens", mas de revirar o seu excesso. Não é o espectador, mas o engodo comprado a crédito de seu desapossamento do real pela intervenção da imagem. Por isso, lemos Débord ou Agamben com a boa vontade interpretativa de lacanianos lendo o Anti-Édipo: lemos sorrindo.
Nossos leitores talvez se espantem e digam que fazemos "um elogio naïf do contemporâneo!", "uma peça de fé ingênua na tecnologia, como se ela produzisse por si mesma a liberação da humanidade". De nossa parte, só podemos dizer que nada do que está escrito em A pop filosofia que falta se presta a uma tal interpretação.
A exemplo do contemporâneo, a técnica não é para ser acreditada ou desacreditada; elogiada ou perseguida. Ela não designa mais do que um meio heterogêneo e conectivo em que o desejo social e político desliza, com o qual ele se agencia tanto em termos de controles como de fugas. É no que a atualidade tem de absolutamente inatual (virtual), que é preciso entrar para captar linhas de fuga. Eis o nosso modo de dizer sim. Eis o que faz da pop filosofia uma postura, um gesto, um maneirismo. Um vício baixo, talvez. Eis a matéria do nosso elogio, eis também a nossa apologia do contemporâneo: única maneira de resistir.
O estatuto positivo do programa profundamente político que se encontra em "A pop filosofia que falta", no entanto, permanece inteiramente intocado. E o nosso convite continua de pé: pop philosophy 'n chill !
Elogio do Intempestivo
27 maio, 2015
CORRÊA, M. D. C. Elogio do intempestivo (Resenha de "Filosofia Radical e
Utopia", de Andityas Soares de Moura Costa Matos. Rio de Janeiro: Via Vérita, 2014, 306 p. Lugar Comum
(UFRJ). maio.2015, Rio de Janeiro, p. 180-185).
Contra o rosto
09 março, 2014
Labels:
Agamben,
biopolítica,
Clastres,
Cocco,
Deleuze,
direitos humanos,
ensaio,
Foucault,
Negri,
política,
subjetivação
"Misturar-se de uma vez para sempre": o processo antropofágico
17 setembro, 2012
Comunicação escrita para a mesa “Biopolítica e
Antropofagia”, realizada durante o seminário “A ascensão selvagem da classe sem nome: tatu or
not tatu”, em 06 de setembro de 2012, na Fundação Casa de Rui
Barbosa (Rio de Janeiro), com organização de Giuseppe Cocco (UFRJ/Universidade Nômade) e
Mauricio Siqueira (Fundação Casa de Rui Barbosa).
* Publicado originalmente na site da Universidade Nômade, em 17 de setembro de 2012.
O que significa festejar o golpe?
01 abril, 2012
Herzog projetado
sobre a fachada do Clube Militar do Rio no Ato Contra a Comemoração do Golpe de
64
(29 de março de 2012)
"Uma vez que um
quase-espectro faz assim sua aparição, trata-se também do direito à
manifestação de uma certa verdade (um pouco espectral, em parte espectral) na figura de uma espécie de 'fantasma real'" (Jacques Derrida, Mal de arquivo).
Deleuze
e Guattari nos haviam alertado sobre isto: “inclusive o fascismo é desejo”. Eis
o ponto em que o CsO (corpo-sem-órgãos),
que Deleuze e Guattari dizem confundir-se com o campo de imanência do desejo,
encontra seu limite imanente: desejar o próprio aniquilamento, “às vezes
desejar aquilo que tem o poder de aniquilar. Desejo de dinheiro, desejo de
exército, de polícia e de Estado, desejo-fascista”.
É no interior da
partilha desse desejo que qualquer um que se aplique a desvendar o significado
de festejar o golpe de 64 deve se colocar. Ele já está implicado de
negatividade bastante para que oponhamos aos eflúvios discursivos pelos quais
se manifesta uma adolescente negação (que, víamos
outrora com Freud, não é mais do que sua reafirmação e
chancela).
Proponho
que o questionamento sobre a comemoração do aniversário do Golpe de 64 – e o
retorno dos seus traços vacilantes, deslocamentos de datas e de substantivos, à
direita e à esquerda do calendário e do dicionário – aplique-se mais sobre as
condições atuais que permitem a sua reemergência do que sobre as avaliações. Afinal,
assim como os arquivos sonegados são prometidos ao futuro, simetricamente
também o presente deveria entregar-se a uma genealogia.
Gostaria
de me deter na emergência deste fato: militares da reserva reúnem-se,
convidam-se, organizam os preparativos para congraçarem-se ao redor aquilo que julgam
ter sido a “Revolução de 64”, que teria salvado o Brasil de uma “ditadura
comunista e sanguinária”, como já vi
o Capitão Leônidas Pires Gonçalves afirmar certa vez.
Seus defensores arvoram-se na democrática cláusula do direito de expressão e de
livre manifestação de pensamento construído no interior de um Estado de Direito
que acreditam terem ajudado a construir com uma ditadura que durou vinte e um
anos.
* * *
Em Arqueologia do Saber, Foucault afirmou que embora o real não se
reduza ao discurso, todo acontecimento que é enunciado já se encontra
discursivamente estruturado. Sua genealogia assenta sobre o princípio
nietzschiano segundo o qual todo conceito é um devir: todo o tecido das
verdades institucionalmente produzidas e socialmente aceitas não é possuidor de
uma essência, nem mesmo uma origem, mas indica – e é isso que se deve atingir
por meio de uma crítica genealógica – as condições de emergência de um enunciado.
Aqueles que festejam umgolpe de Estado em nome da atual democracia – e como veículo inseminante
dela – não apenas reafirmam na perversão da festa o nexo de indeterminação entre
direito e anomia; mais que enunciarem o real em um discurso já estruturado,
como quisera Foucault, mostram que afirmar a conexão entre ditadura e Estado de
Direito tornou-se possível; e, como se faz índice o argumento constitucional da
liberdade de manifestação, é nos termos dessa mesma democracia que se tornou
possível dizê-lo.
Não é o estado atual da
democracia brasileira que precisa defender-se dos espectros da ditadura: eles a
ocupam de dentro a fora e fazem a democracia retornar sob a forma da violência constituinte
das resistências que passaram a ganhar as ruas (confira-se, por exemplo: o Levante Popular da Juventude,
os
esculachos dados em torturadores, os
protestos dos manifestantes contra a comemoração do Golpe de 64 pelos militares
da reserva no Clube Militar do Rio [em um registro do
chargista Latuff, mas também em uma cobertura
avacalhada do Grupo O Globo]).
Comemorar o Golpe de
Estado como uma revolução democrática significa que os devires da democracia –
suas condições materiais, mais que um seu conceito –, estão novamente em jogo
no terreno da política. Em nosso contexto, o bloqueio dos arquivos coincide com
o bloqueio dos afetos, que pouco a pouco são liberados nas cidades e no campo e
voltam a enxamear surdamente, voltam a circular e a restituir o espaço público,
decadente desde o fim dos anos 80.
O bloqueio da política,
que não deve resistir por muito mais tempo, coincide com o bloqueio da
democracia e do por vir. E são suas potências revolucionárias arquivadas que o
direito à memória está em vias de liberar uma vez mais com a qualidade de uma
potência intempestiva, cujo espectro – como o de Herzog projetado sobre o
concreto armado do Clube Militar – retorna esquivo, à esquerda, provando, como
quisera Agamben, que o Esquecido por uma tradição não
exige lembrança, mas justiça. Justiça espectral, virtual, sem corpo; o real
feito fantasma: um devir... que nos carrega consigo.
A reunião dos “democratas
da reserva” no Clube Militar do Rio
(29 de março de 2012)
--
Tradução: "Ideia de justiça", de Giorgio Agamben
02 março, 2012
À esquerda, "O vazio"; abaixo, "Recordação", pinturas de Gao Xingjian
Giorgio Agamben
O que quer o Esquecido? Não memória ou conhecimento, mas
justiça. Todavia, justiça – à qual ele se fia – por ser justiça não pode
fazê-lo aceder ao nome e à consciência; seu rescriptum
implacável se exerce só, como punição, sobre os esquecimentos e as carnificinas
– sobre o Esquecido, ele não diz palavra (a justiça não é vingança, ela nada
tem a reivindicar). Ela não poderia, aliás, fazê-lo sem trair aquilo que se abandona
entre suas mãos, não para estar indene à memória e à língua, mas para
permanecer imemorial e sem nome. A justiça
é, pois, a tradição do Esquecido. Mais essencial que a transmissão da
memória é, para o homem, a transmissão do esquecimento, na qual a acumulação anônima
cresce sobre seu dorso dia após dia, sem que se possa consumi-la ou abrigá-la. Para
todo homem, e com mais razão para toda sociedade, essa pilha é de tal forma
enorme que os arquivos mais bem compostos dela não poderiam nada conservar (e
toda tentativa de enxergar a história como um tribunal é, da mesma forma,
falaciosa).
Encontra-se
lá, contudo, o mais seguro legado de cada homem. Ao fazer escapar à língua dos
signos ou da memória, o Esquecido faz nascer para o homem – e para ele, apenas –
a justiça. Não como um discurso que se poderia divulgar ou esconder, mas como
uma voz; não como um testamento autógrafo, mas como um gesto anunciador ou uma
vocação. Nesse sentido, a mais antiga tradição humana não é Lógos, mas Diké (ou melhor, os dois são indissociáveis desde a origem). A
linguagem, como memória histórica consciente de si mesma, não é nada senão
nosso desespero, surgido imprevisto face às dificuldades da tradição.Ao
acreditar transmitir uma língua, os homens doam-se uma voz reciprocamente; e ao
falar, eles se livram da justiça sem remissão possível.
[1] Traduzido de : AGAMBEN, Giorgio. Idée de la prose. Paris
: Christian Bourgois Éditeur, 1998, p. 62-63.






