Varia: 1/2 dúzia de txts

08 setembro, 2022


Pois é. Então. Sei lá. Não atualizamos o Navalha de Dalí há uns bons meses. Perdi a conta de quantos. A negligência é tamanha que sequer rolei a barra lateral para contar...

Mas e daí? Vamos às novidades!

Nesta seção, que chamei aleatoriamente de varia, aproveito para chamar a atenção dos amigos para textos variados que foram publicados nos últimos meses e não tive a chance de disponibilizá-los antes aqui no blog. Vamos a eles?

Os primeiros são três ensaios. Um é um ensaio solo que dá continuidade à minha pesquisa sobre Deleuze e o direito; outro, em parceria com Guilherme Chaves (Labtesp/UEPG + USP), debate as categorias de autor e usuário na configuração da economia política do capitalismo de plataforma; por fim, o último, em parceria com Paloma Graf (Labtesp/UEPG), é um ensaio que tenta prolongar um conceito de Achille Mbembe (o "devir-negro do mundo") a fim de mostrar que as lutas antirracistas - especialmente involucradas nas manifestações globais do BlackLivesMatter no curso da pandemia de Covid-19, seriam a faceta positiva e insurgente da partilha, agora universal e pós-racial, dos racialismos neoliberais.

As três resenhas, por sua vez, discutem três livros recentes. Um do pensador argentino Daniel Fränkel; outro o Políticas de Riobaldo, belo livro do querido amigo Renan Porto que cruza Grande Sertão Veredas e Mil Platôs; por fim, um livro bastante representativo dos limites do capitalismo de vigilância como tese crítica sobre as TICs: Artificial Whiteness do cientista da computação Yarden Katz.

Espero que gostem das leituras que escolherem!

Nas próximas semanas volto aqui com uma curadoria de vídeos que estão no Van Filosofia e, possivelmente, com um compilado com tudo o que publiquei, de 2011 para cá, sobre Deleuze, seus intercessores, e o direito.

Valeu! Abraços!

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A. Ensaios


1/ CORRÊA, M. D. C. (2022). "É aí que se passa do direito à política": Deleuze e os grupos de usuários. Direito e práxis (UERJ). Clique para ler ou baixar.

2/ CORRÊA & CHAVES (2022). A economia política do autor e do usuário: hipóteses sobre o Capitalismo de Plataforma. Lugar Comum (UFRJ). Clique para ler ou baixar.

3/ CORRÊA & GRAF. (2022). Um outro devir-negro do mundo: neoliberalismo e lutas antirracistas. Destroços (UFMG). Clique para ler ou baixar.
 

B. Resenhas


1/ CORRÊA, M. D. C. (2022). Nudos y líneas de la vida: insistencias inhumanas. Symbolum (Universidad Autónoma de Tlaxcala, México). Clique para ler ou baixar.  

2/ CORRÊA, M. D. C. (2022). Abecedário de Riobaldo. Destroços (UFMG). Clique para ler ou baixar. 

3/ CORRÊA, M. D. C. (2022). Algoritmos da política, política dos algoritmos. Lugar Comum, UFRJ. Clique para ler ou baixar.

Shitposting on: sobrescrever

06 junho, 2022


Carxs leitorxs do A Navalha de Dalí,

Vocês ainda estão aí?

Os blogs saíram de moda. Toda a prática de leitura online parece ter sido engolida pelo shitposting das redes sociais. E todo shitposting requer um shitreading. Aquela atençãozinha de merda. 15 minutos são ouro! 9 segundos de dancinha no TikTok. Não dá tempo nem de ficar excitadx. Mas, sendo o caso, o capitalismo inventou outras drogas pra isso - as FFAA que o digam.

O resto (e também um imenso monturo do shitstorm disponível) passou ao audiovisual - mais conhecido como You Tube e que tais. Enquanto isso, "as melhores práticas textuais" agora estão pautadas na hiperfragmentação (penso se não seria o momento de pôr um ponto final nesta frase em busca de mais views. Uma pena este blog não ter AdSense).

Tudo vira SEO. Fragmentação e recursão são palavras-de-ordem. Ou melhor, a ordem-das-palavras, ordem do discurso. O arquivo e o a priori histórico foucaultianos. Hoje, o carequinha que a gente gosta estaria estudando Python ou linguagem C++ pra escrever "o código e a internet das coisas".

Logo, [perdoem, o SEO pede a inserção de conectivos nos lugares mais aleatórios para aumentar a readability], escrever é devir-fantasma, devir-ghost para tornar-se writer. E aí, quem não é writer pode fantasiar que é. Custa uns trocados. [Há uns quantos best-sellers, todos assombrados, que foram escritos por fantasmas e levam o nome de alguém de carne-e-osso na front cover]. Quem assina faz cover de autor, e o writer faz cover de fantasma. And nobody cares, everybody is making some cash. Paying the fkng bills. Nothing wrong with that, babe - I need to stop reading Kerouac. All I'm saying is becoming-Standard-&-Poor faster than I can account for.

Não digo nada disso com qualquer saudosismo. L'immanence nos livre de sermos Platões suspeitando da cultura escrita; Adornos achando a inventividade do Jazz uma repetição fingida e vulgar. A gente continua atirando garrafas ao mar - e, parafraeando Heráclito (não Hölderlin - toma essa, Heidegger!), muda a garrafa, a mensagem e o mar mesmo vira outro.

É assim [este "assim" não deveria ter vindo antes, caro SEO? Pera, vou perguntar pra Alexa!] que entramos no YouTube. Mas (agramaticalidade dos conectivos on fire), eventualmente escrevemos algo por aqui. Claro que vocês não devem esperar nada criativo. Até porque, toda "escrita criativa" está no medium, e a plataforma é mesmo muito bonita. De um minimalismo que quase dá vontade de largar tudo em troca da promessa de um mundo em que todo ruído é branco. Clean. Parece arrumado pela Marie Kondo. Todo mundo merece um ouvido entupido de fone bluetooth e ASMR. Talvez assim o capitalismo 24/7 deixe a gente dormir, às custas da nossa atenção dispersa, frouxa, sonolenta.

Mas eu escrevi tudo isso para dizer que, daqui para frente, ao invés de disponibilizar novos textos via Scribd - como "antigamente" - incorporando-os aqui, vamos fazer uma malandragenzinha das antigas. O nome da droga é hiperlink. [SEO liked it!]. Vamos concentrar tudo no Academia.Edu porque, como diz o canalha editor da The Wired, "Theory is dead, long live the big data". Só que não.

O que me lembra que preciso mudar o layout deste blog. Nada de plutôt la vie. Muito 68. Muito surrealista. Surrealismo para quê, se ninguém mais dorme? Preciso é achar um pixo que diga "Plutôt le metaverse". Aí, sim, este blog vai da naftalina ao NFT!

As lutas algorítmicas como questão da técnica: o impasse do capitalismo de vigilância

 

Registro da intervenção feita em 03.06.2022 no Seminário IAlgo+, vinculado à Eco-Pós UFRJ e ao PPGCI IBICT/UFRJ,a convite do Prof. Dr. Giuseppe Cocco (UFRJ). 

 Essa intervenção procura localizar tendências subteorizadas na tese do capitalismo de vigilância, revisitando Heidegger, Horkheimer e Wiener. Tenta mostra que a difusão das técnicas computacionais instancia-se em um duplo processo extrativo: dos corpos como territórios mineráveis, e da terra como corpo sujeito a um regime fabril. Mas o que se passa quando os meios interceptam esse devir? 

Tentamos deslocar o ângulo de visão do capitalismo de vigilância, e sua clausura para com as lutas, propondo reinterpretar os algoritmos como objetos técnicos em sentido simondiano. Para isso, lemos em conjunto as teses de Gilbert Simondon (1924-1989) sobre a individuação e sobre o modo de existência dos objetos técnicos. 

É do seu prolongamento que, numa provocação a Heidegger, propomos as lutas algorítmicas, já não como questões, mas como problemas constitutivos à técnica, ao mesmo tempo em que reconceitualizamos a informação como intensidade num prolongamento do debate em Simondon e Wiener.

Deleuze e o direito: a jurisprudência como categoria social

28 maio, 2022

 
 
 
Intervenção de Murilo Duarte Costa Corrêa (PPGCSA e Labtesp/UEPG) na cadeira "Filosofia e Sistemas do Pensamento Jurídico", a cargo do Prof. Dr. Alexandre Fabiano Mendes, no Programa de Pós-Graduação em Direito (PPGD/UERJ). 
 
Se você procura uma introdução contextualizada, bem como as principais chaves de leitura para entender o direito e a noção de jurisprudência na filsofia de Gilles Deleuze, esta palestra é para você! 
 
Ela foi gravada em 04/05/2022, via Zoom, como parte das atividades da cadeira no PPGD/UERJ.